1 de abril de 2011

A arte de conviver

Existem coisas que você tem que respirar, pensar em Gandhi, contar até dez  e logo depois contar até um milhão trezentos e dois mil oitocentos e trinta e seis. Se não der certo, repetir isso tudo de trás para frente e com os olhos e punhos firmemente fechados.
 
Vamos imaginar:

1. Segundo ônibus lotado, meio-dia, sol escaldante, fome, cansaço. Entra um fulano com o celular tocando uma música extremamente alta que naquela situação poderia ser a Nona sinfonia de Bethoveen e você continuaria com vontade de fazê-lo engolir o celular.

2. Cinema, o filme do ano, recordes de bilheteria, sessão lotada, você senta no melhor lugar possível, pipoca e refrigerante. Não há como alguém estragar o momento. Engano seu: um fulaninho, não se sabe o porquê, ativou o alarme de incêndio usando um isqueiro. Toda sala foi evacuada e quando perceberam o engano, a brigada de incêndio já havia sido convocada, sua pipoca havia ido ao chão, você perdeu o melhor lugar da sala e o filme já havia avançado uns 20min já que ninguém é capaz de pausar a projeção.

3. Quarta-feira, 8 da noite, calor, cansaço. Você deita no sofá e  o vizinho imbecil liga o som no volume máximo, enche a calçada de piriguete (em termos brandos) e  faz uma festinha ‘surpresa’ bem no meio da semana.

4. Fila de supermercado, já esta duas horas em pé. Você será a próxima. Gritos e comemorações mentais ecoam em sua cabeça. Então, a caixa erra alguma coisa no processo lá. E eles terão que recomeçar tudo.

Agora me diga, conviver é ou não é uma arte? Jorge Amado sempre esteve certo: Se viver não é fácil, conviver é um desafio permanente.