14 de maio de 2011

Sobre família e futuro

Vivemos a proferir e pronunciar que Nunca faríamos isso ou aquilo. - Nunca com ‘ene’ maiúsculo mesmo, para definir a intensidade da pronúncia. – Mas, não podemos designar com tamanha precisão o que faremos pelos próximos, sei lá, cem anos. Definimos princípios e objetivos, mas ações e escolhas são tão complicadas.

Não é difícil voltar às lembranças e recordar o que toda criança sempre diz: ‘Eu nunca vou namorar!’. Nunca mesmo? Eu nunca comerei salada, tomarei chá ou estudarei mandarim. Nunca sairei com fulano, o beijarei ou casarei com aquele cara. Imagine se sua mãe tivesse cumprido todos esses ‘nuncas’ e você não estaria lendo essa crônica.

Não podemos prever com quem passaremos o resto – ou boa parte – de nossas vidas, não costumamos anotar nossos nuncas irresolutos. Não prevemos se nossa família será igual a do comercial da margarina ou se nossos filhos serão nossos melhores amigos. Nada disso é programável.

Pior de tudo é que essa falta de clareza e instabilidade nos assusta, afasta e amedronta. Amamos – invariavelmente – nossos pais, mas nem sempre eles são modelos confiáveis a serem seguidos. Temos a escolha, o livre-arbítrio, para decidir quem e como queremos ser.

Escolhas não são ultimatos programáveis. São voláteis e o que na década de 50 parecia o príncipe encantado se transformou em sapo no século XXI, mas o amor e comprometimento com aquela pessoa perduram. A imagem projetada há 30 anos mudou, as prioridades mudam.

A essa altura não sei mais onde quero chegar com tantas palavras, o fato é que tudo muda, inclusive você. Ninguém é perfeito. Temos escolhas. Damos nossos próprios passos e independente do que seus antepassados fizeram você escreverá uma nova história. Sua história será diferente da história dos seus pais e seus filhos não serão iguais a você.

Demorei a entender certos pensamentos, outros diálogos e muito do que ouvi. Demorei a perceber que cada um é cada um e que posso galgar caminhos diferentes. Demorei, mas tá ai.

Em uma conversa outro dia eu e minha amiga @drikaaguimaraes falamos – mais ou menos – sobre isso. E praticamente por exigência dela virou crônica, que virou post. Espero que vocês se identifiquem.
=*
@lorenarocco