1 de outubro de 2011

What's happening?

É engraçado ainda reclamarmos de privacidade e todo esse blábláblá quando nós mesmos difundimos aos quatro ventos tudo que ocorre em nossas vidas. 

Ainda me lembro do gostinho de ir ao correio e esperar por dias para saber quais as novidades dos meus amigos de longe. Essa de: ‘Oi. Tudo bem. Quais as novas.’ não cola comigo. É tão frio, distante e imediatista. Não tem o mesmo sabor. 

Sei onde todos os meus amigos estão, como e com quem, pelas suas centenas de atualizações a cada segundo de vida. Sei o que almoçaram e a que horas foram dormir. Acabo por ficar constrangida em saber tanto de tantos. 

Eu já tive raiva de muita gente, já discuti com outras tantas por causa de rede social e eu bem sei que não vale a pena. É bom poder conversar com quem tá longe a um custo baixíssimo, passar horas sabendo de tudo que acontece em cada canto do mundo, mas a vida não se resume nisso. 


Eu confesso um pouco da minha hipocrisia: Atualizo as minhas redes sociais com um monte de besteiras. Ainda assim, não adiciono todos que me escrevem ‘e ai gatinha?’; não posto todas as 767890 fotos da minha mais recente viajem ao Acre; ou as 20 fotos com poses milimetricamente semelhantes e sorriso com grau de amplitude diferente. 

Não é para isso que as REDES sociais foram criadas! Não é para você substituir sua VIDA social, seus amigos de carne-e-osso ou extinguir todo contato humano. Já tive vontade de ficar off, de bloquear por spam um monte de gente... e como eu queria um CTRL+F em minha vida!

Mas, não posso fazer. Ou melhor, não desejo! Viver é tão bom. Desligar o monitor, pegar na mão, abraçar e rir sonoramente, e não o ininteligível ‘huahuashsa’, é uma delicia. É se sentir vivo, mesmo que o block e o off seja mais sedutor. Acredite, dá as caras, olhar nos olhos e usar a roupa mais estilosa do seu armário é bem mais divertido que ver atualizações das 767891 pessoas adicionadas ao seu perfil.

ironicamente,  @milalices