10 de janeiro de 2012

Folheando - Talvez uma história de Amor

Não lembro como conheci Talvez uma história de amor, mas o adquiri assim que pude e o devorei em 2 dias. É o primeiro livro que li do francês Martin Page, e sem dúvida o melhor em 2011.

Martin Page narra a história de Virgile. Anti-herói com sérias, profundas e loucas teorias sobre a sociedade... Virgile chega em casa após o trabalho e na sua secretaria eletrônica piscava a seguinte mensagem:  “Aqui é Clara. Sinto muito, mas prefiro parar por aqui. Vou me separar de você, Virgile. Não o quero mais.”

Clara parece convicta de sua decisão e Virgile sente seu mundo desmoronar. O grande problema não é o fim de seu relacionamento, mas ele não fazia ideia de quem era Clara. Para ele, se tudo não passasse de uma brincadeira, ele teria de um sério problema de amnésia ou alguma doença que o levaria a morte imediata.

Virgile se pergunta todo o tempo quem diabos é Clara e depois de recuperar-se do susto, traça uma busca pela moça. Nessa epopeia moderna nosso anti-heroi se depara com vários dilemas e mostra um personagem apaixonante apesar de morar em um apartamento velho, num bairro de prostituição; recusar um aumento de salário; e o único relacionamento longo que cultiva é a relação/médico com sua analista.

Martin Page nós mantem atentos e envoltos na atmosfera francesa por todo o livro. Ele nos guia por uma história psicológica, incrivelmente bem desenhada e com passagens surpreendentes.

A vitória não é algo reconfortante. Virgile estava convencido disso: na vida, é preciso se esforçar ao mesmo tempo para não perder e para não ganhar. O exercício é delicado, já que os dois polos têm alto poder de atração.” – Pág 47. 
Nunca mantivera contato com suas ex-namoradas. Não porque as separações tivessem sido dolorosas, mas justamente por não terem sido o bastante.” – Pág 101.

TALVEZ UMA HISTÓRIA DE AMOR de Martin Page.
Tradução Bernardo Ajzenberg - 160 páginas.
Editora Rocco