21 de abril de 2012

Leão Covarde

Nunca poderia ser médico! Imagina tomar decisões que podem determinar a vida ou morte de uma pessoa. Não, não. Jamais. Porque não advogado? Perguntava-lhe um ou outro intrometendo-se na conversa. 

Pensas que nunca cogitei essa possibilidade? Imagina eu, sempre tão bom em tudo que faço. Um dia serei juiz, claro. Mas, como posso determinar a culpa de alguém. Nem sequer estava lá, para ver o incidente? Findaria em uma decisão errada, baseada no calor do momento, que por certo faria alguém sofre: O acusado ou o acusador. 

De fato, mas uma hora terá que se decidir. A multidão bradava, inquiria e remoía tudo o que dizia respeito ao cordeiro, o viam como o leão que nunca seria. 

Vez ou outra deparava-se com uma bifurcação e, cordeiro que era, dava meia volta volver e seguia mais adiante. Olhava para os lados, para trás e para frente, mas seguia. 

Não fechava os olhos, não gostava de escuro. Enchia-se de encantos por outras conversas, outros sorrisos, mas como escolher? Como prender-se eternamente a uma decisão? 

Levava a multidão que bramia a passos lentos; levava os sorrisos apenas no bolso, da calça, longe do peito; levava o medo que bramia em seus ouvidos em tom manso, fingia não ouvir, dava um passo largo a frente, mas ele teimoso que era, o convencia a dá meio passo atrás. 

De fato, de meio em meio passo, grandes outros foram dados. De fato, o mesmo caminho, por fim, foi seguido e de fato, o mesmo destino se findou, mas as voltas foram maiores, a velocidade mais parca e o cordeiro finalmente tornou-se leão.