14 de junho de 2012

Não posso viver sem minha vida! Não posso viver sem minha alma!



Emily Brontë pertenceu a uma família de literatos e artistas britânicos. Suas irmãs, Charlotte e Anne, eram romancistas e seu irmão, Patrick, foi um artista de pouca expressão. Introspectiva, morreu vítima de uma pneumonia, em 1848 aos 30 anos, não deixou marido ou filhos. 

O Morro dos ventos uivantes, publicado um ano antes de sua morte, foi sua única obra em prosa e fez-me companhia nos últimos dias e conta a história do amor intenso de Catherine e Heathcliff. 

A história me pareceu ter dois narradores: Sr. Lockwood que aluga a Granja da Cruz dos Tordos, vizinho ao O morro dos Ventos Uivantes e conta a situação atual; e Nelly Dean, empregada do Morro e da Granja que narra ao Sr. Lockwood todo o passado do lugar. 

Catherine e Hindley Earnshaw são irmãos e vivem em O Morro dos Ventos uivantes, onde Nelly trabalha desde pequena. Seu pai encontra Heathcliff, ainda criança, vagando sozinho pela estrada durante uma viagem que fez a Liverpool e o traz para casa. Vitima do preconceito de toda a família e hostilizado como cigano, alimenta um ódio intenso por todos que o cercam, menos Catherine. 

Catherine retribui de forma desesperada o amor de Heathcliff, mas não o considera digno de a ser seu marido. Após brigarem, Heathcliff vai embora e algum tempo depois ela se casa com Edgar Linton. 

Edgar mora na Granja dos Tordos, dista de 4 milhas do Morro, homem rico e elegante de temperamento dócil e saúde frágil. Contraste absoluto entre as personalidades de Cathy e Heathcliff que são intensos, de espíritos livre e com emoções levadas ao extremo. 

Anos depois Heathcliff volta rico e ao encontrar Catherine casada com Edgar - que a ama absolutamente – chega ao auge sua sede de vingança. A partir disso a história se desenrola e eu não vou contar o que acontece. 

Como boa parte da minha geração, conheci a obra pelas citações em Crepúsculo de Stephenie Meyer e peguei um exemplar a mesma época, no fundo esperando algo parecido. Grande Engano! Quatro anos atrás não consegui passar dos cinco primeiros capítulos. 

O Morro dos Ventos Uivantes não é um livro para qualquer um... não só pela linguagem, já que as novas edições conseguem traze-la um pouco para a atualidade. É um livro absolutamente intenso, contraditório e apaixonante. 

Todos os personagens apresentam-se com uma caracterização psicológica que nos faz sentir cada átimo da situação e mesmo com a descrição simplória da região podemos sentir a brisa gelada a cada página lida. Emily, sem sombra de dúvidas, nos transporta para a Inglaterra do século XIX com maestria. 

Minha atual edição é uma tradução de 2004 por Oscar Mendes da Martin Claret. E como já havia lido parte da obra em outra tradução, não lembro qual, algumas coisas me incomodaram absolutamente: 

Enquanto "O Morro dos Ventos Uivantes" recebe a tradução para o português na história, "A Granja da Cruz dos Tordos" e a "cidadela de Gimmerton" continuam com seus nomes em inglês: Thrushcross Grange e Gimmerton. E com exceção de Heathcliff, Edgar Linton, Hindley Earnshaw e Linton Heathcliff os demais nomes são aportuguesados sem necessidade alguma. 

Catherine vira Catarina 
Isabella vira Isabel 
Ellen vira Helena 
Frances vira Francisca 
Joseph vira José 

No mais, recomendo um ótimo estado de espírito e vontade de ler um Brontë. É cansativo, mas vale cada palavra.