4 de setembro de 2012

E nóis grevando

Foto: Facebook
Não sou do tipo que bate altos papos sobre política, por que sempre tem aquele cara que não sabe de nada e quer dá uma de PHD em política aplicada, formado por Harvard. E nisso vale a máxima: "Nunca discuta com um ignorante, ele te rebaixa ao nível dele e vence por experiência". 

Mesmo assim, cá estou. Cento e tantos dias em casa, nenhum sinal de fim da greve na minha universidade, a cidade se enchendo de obras (ano de eleição), eventos internacionais a caminho e eleição em, acho que, um mês e meio. A pergunta é Tem como ficar pior?

Somos a sexta economia do mundo; 88° país em educação; 72° no ranking da OMS em gastos com saúde. Somos o país do futebol, onde mais de 5000 pessoas foram presas por tráfico, só no primeiro semestre de 2012 e só na capital do país.

Pior do que está fica, e fica sim! Esse ano é tempo de promessas, de tirar obras do papel e acusar Deus e o mundo e fingir que "não foi no meu governo". E cadê suas propostas, querido candidato? Sabe uma coisa que eu nunca vi comentarem e sempre me pergunto:

Por que um senador que ganha - legalmente - 26,7 mil reais, se candidata ao cargo de prefeito para ganhar 17,1 mil reais*?

Não venha dizer que é pelo bem do povo, por que não. Não é. 

Indignação é como tudo no Brasil acaba em festa, como o país tem rios de dinheiro para a Copa do Mundo, para emprestar a Europa, para as Olímpiadas e o diabo a quatro, mas não pode negociar salário com a categoria grevista, de qualquer ramo, por causa da "crise".

Não ponho a culpa das greves, nos grevistas. Coloco exclusivamente no governo. Por que nenhum político, tenho certeza, teve aula cancelada por causa da chuva ou por causa de assaltos no campus. Nenhum filho de político deixou de ter aula por que não tinha cadeira para sentar, por que não tinha mídia na sala ou por que o professor não apareceu.

Bem verdade que nem metade dos caras que estão sentados no ar condicionado em Brasília teve que enfrentar vestibular, encarrar ônibus lotado; provavelmente têm segurança particular, plano de saúde caríssimos e dirigem carros blindados. E quando a filha de ministro é sequestrada, a Força Nacional vai para as ruas... muito bem, continuemos tapando o sol com uma peneira.

E enquanto isso, vamos maquiando a casa para receber o mundo. Fingimos que passear na favela é chic, ninguém vê o turismo sexual e os mendigos serão temporariamente recolhidos a abrigos. Aliás, as escolas estarão fechadas durante a copa para os gringos se encantarem com o menininhos jogando capoeira e batendo um baba na pracinha. 

Sabe qual é o problema de tudo isso? Que ninguém levanta a bunda da cadeira para reclamar de nada. Ninguém se dá ao trabalho de pensar na merda que é nossa política. E no fundo, merecemos a doutrinação que recebemos. Por que brasileiro se acostumou a aceitar migalhas, desde que Cabral chegou por aqui.

*Salário em Aracaju. Fonte