29 de março de 2013

COMO ME TORNEI ESTÚPIDO


"Antoine não desejava ser um perfeito imbecil, mas diluir a sua inteligência no amálgama da vida, deixar de tentar analisar tudo, de tentar descobrir tudo." 
- Página 67

Talvez uma história de amor foi o primeiro livro do Martin Page que li e o primeiro livro que resenhei para o blog. Foi com o tal livro que conheci - e me apaixonei pela escrita - o Martin Page e por ele cheguei a Como eu me tornei um estúpido.

SINOPSE: Como me tornei estúpido traça o curioso perfil do anti-herói contemporâneo Antoine, um rapaz de vinte e cinco anos, que vê na sua aguçada inteligência a causa de todos seus problemas. Para Antoine, a inteligência e a consciência crítica são empecilhos para alcançar a felicidade na sociedade atual. O livro faz uma crítica afiada ao consumismo e ao pretenso livre-arbítrio que torna todos semelhantes. Uma rebeldia bem-humorada contra essa sociedade que exige a estupidez como passaporte e oferece a massificação como recompensa. (no skoob)


Engraçado, mas não sei bem o que dizer sobre esse título do Martin Page. O livro é curtinho, 158 páginas de uma leitura rápida e, aparentemente, despretensiosa.

Martin nos apresenta Antoine, um personagem intrincado e fora dos padrões - assim como o Virgile, de Talvez uma história de amor -. Um anti-heroi carismático que nos contagia desde o começo, não pelo carisma, mas pela ausência total disso.

Extremamente inteligente, Antoine ver nisso a causa de todos os seus problemas: insonia, por que passa muito tempo pensando; ausência de interação social, por que ninguém tem uma capacidade critica semelhante; infelicidade, por que nada lhe parece livre de criticas... enfim.

Em todo o romance, Antoine procura a cura para sua inteligência. Segundo ele, "A vida não é mais que uma infinita tortura" e quer a todo custo parar de analisar e pensar a respeito de todas as coisas. Ele tenta alcoolismo, suicídio, cirurgia e encontra em um anti-depressivo sua solução.

A estupidez não é exatamente sua resposta e nisso está toda a crítica do livro: A massificação das opiniões e a falta de senso crítico da sociedade. É uma história de um humor inteligente e sarcasmo sutil que nos faz pensar em muitos aspectos da sociedade atual.

E nessa de criticar e induzir o pensamento que Martin Page perde um pouco de público. Não é um livro para qualquer leitor. Apesar da graça, há uma critica social pesada e foge completamente de todos os padrões editoriais. Talvez por isso que gostei tanto do livro, simplesmente por ser diferente.

Adoro a forma com o autor constrói os personagens e conta a história, mas não é um livro de massas. Não é o tipo de história e escrita que ganha a todo mundo e se torna um pouco arrastada no seu decorrer. Mais uma vez é isso que me ganha: A não massificação, a sutileza de crítica e os personagens surreais.