10 de junho de 2014

Livros de Verão

Para a maioria dos leitores, um livro de ficção é puro entretenimento, algo que não convida a pensar nas relações humanas, no jogo social e político, na passagem do tempo e nas contradições e misérias do nosso tempo, muito menos na linguagem, na forma que forja a narrativa. (Milton Hatoun, para o Estadão.)

Não é verão e faz tempo que li uma crônica do Estadão que falava exatamente sobre isso, mas um texto do SO CONTAGIOUS me fez lembrar uma crônica antiga tumblr do Mil Alices que falava exatamente sobre Livros de Verões.

Todas essas pessoas discutiam os grandes livros de ficção que pouco tem a dizer e carregam, ao mesmo tempo, milhões de leitores tem tudo a dizer sobre ele e seu legado da literatura.

Uma discussão recorrente é o papel da telenovela na vida do expectador. Pelo menos no Brasil, é um tema recorrente. E para mim o papel do livro, como romances ou YA, na vida das pessoas passa pela mesma problemática e argumentos infindáveis.

Sou daquele pessoal que é a favor da livre opinião e que tem certeza que gosto não se discute. Sabe aquele antiquíssimo comentário: ‘Eu desaprovo o que dizes, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo.’? É bem por ai.

Eu acredito fielmente na liberdade de cada um ler o que der na telha e ser Feliz fazendo isso! Eu sinto um ódio irracional quando olham torto para o livro que eu estou lendo: por que é velho ou porque é pesado, por que é modinha, porque não é modinha e porque eu não sei usar os porquês certos.

Livro tem o poder supremo de nos transportar para outros mundos, aumentar vocabulário, mostrar culturas, dividir ideais e guarda toda a mágica que computador nenhum será capaz de ter. E no fim, você faz o que quiser com ele (e com seu cérebro!).

Ignorante é aquele que não aceita que fulano leia Cinquenta Tons de Cinza, ou seja louco por A Culpa é das Estrelas ou que o livro favorito de ciclano seja Dostoiévski. O livro, em si e como objeto inanimado, não tem função alguma além de entretenimento e - hoje, não tanto – armazenamento de informações.

Verões vem e vão, músicas de carnaval vão e vem. Profissionais do Marketing vem e vão. A livre opção, a vontade de consumir cultura e a educação ficam. Talvez se D. H. Lawrence lançasse Lady Chatterley hoje, seria um excepcional Best Seller mulherzinha e a maioria dos críticos o classificaria com lixo massificado.