28 de julho de 2014

Aprendi com aniversários...


Eu não me lembro de já ter gostado de aniversário. Lógico que toda criança gosta de aniversários e eu não sou estranha ao ponto de ter sido uma criança ranzinza, mas ao longo dos anos eu fui desenvolvendo uma aversão a 26 de Julho que talvez beirasse a patologia.

Assim, desde que eu sai de Salvador e de perto da minha família - tios, primos, avós e essas coisas - que eu não comemoro aniversários. NUNCA, JAMAIS. Exceto uma festa surpresa ocasional e uma saidinha com a galera para um pizza.

Acontece que a gente muda, a gente tenta e um dia a gente percebe que algumas coisas não valem a pena. E, apenas, não vale acumular coisas sem sentido: qual o sentido em ficar chateada e triste e ranzinza todos os anos no meu aniversário? 

Acreditei piamente que somente quem me desejava Parabéns no facebook era falso - até eu ser obrigada a aceitar os lados bons da tecnologia - e que se eu fizesse uma festa ninguém apareceria e que minha família não vinha me ver. Acreditei que a cada ano eu chegava mais perto da velhice e que minha vida tava passando.

Passou. Realmente passaram-se anos sem eu dar uma chance à novas pessoas, aos novos gostos e pessoas apaixonantes curtirem uma data SÓ MINHA, comigo. Passou essa neurose de "falsidade no facebook" por que pessoas chatas estão em todos os lugares, online e offline.

Eu aprendi que sempre haverá um lado bom em tudo. Que sempre teremos pessoas especiais que realmente se importam com nossa felicidade e mesmo que não haja PESSOAS, haverá uma pessoa que fará a diferença.

Aprendi que o pior de tudo está em nossa cabeça e que relacionar-se pode até ser complicado, mas pessoas são as coisas mais legais que podem acontecer em nossa vida. Descobri que distância é psicológico, que todo mundo tem algo bom e que ninguém deve ser seletivo com amigos: afeição não significa perfeição.

Decidi que posso ser feliz com pouco; que posso comemorar é simples e possível; e que velhice é relativo. Que aniversário é uma vez por ano - graças a Deus - e que 21 a gente só faz uma vez. Aprendi que aprendemos a cada dia e que de 365 em 365 a gente precisa decorar a casa e receber quem vale a pena.