16 de agosto de 2014

Você é como você trata as pessoas

Imagem do Pinterest
Eu trabalho em um Banco, uma tarefa realmente chata, mecânica e repetitiva. Pensando bem, é pior que "trabalhar em um banco": Eu sou estagiária, na superintendência, de um enorme banco público federal.

Além da palavra "estagiária" pesar ao lado da foto do meu crachá, conviver com diretores, gerentes e concursados com anoooos de empresa, faz do meu trabalho um estudo quase antropológico.

Nesse último longo ano, eu aprendi acima de xerox, excel, cafés e olhares enviesados, que o poder é uma merda, que as pessoas são hipócritas, mesquinhas e que TUDO O QUE VOCÊ É se resume em COMO VOCÊ TRATA AS PESSOAS (e bichos, e objetos ou qualquer outra coisa).

No meu primeiro dia, gritaram comigo porque eu não chamei uma pessoa de Doutor, mesma ela não sendo formada em direito ou medicina ou, com certeza,  doutor em qualquer coisa. Na segunda semana, porque eu não adivinhei que a Xerox era colorida e não P&B.

No primeiro mês, porque eu não entrei em uma sala para entregar um papel e logo depois porque eu entrei para entregar o papel. Com o tempo eu me acostumei a contornar situações, a aceitar xiliques, a jamais chorar ou demostrar incômodo, mesmo que, em um ano, os Deuses do Olimpo não sabem seu nome e te rebatizam de "a estagiária".

O que eu realmente aprendi nesse ano é que nada - NADA - dá o direito a ninguém tratar outro ser da forma como estagiários e terceirizados são tratados naquele lugar ou como muitas pessoas tratam quem consideram inferior. Esse é um exemplo pessoal, mas você já parou para pensar em como trata o garçom do seu restaurante favorito? Ou o flanelinha da rua do seu trabalho? Ou a sua avó, sua irmã mais nova?

Eu sei que a maior prova do caráter de uma pessoa é como ela se relaciona com o outro e nada nesse mundo me fará acreditar que existe bondade e competência em quem grita, humilha e menospreza. E nunca haverá maior sinal de mediocridade do se considerar superior.

Talvez seja uma crônica daquelas desabafo ou uma constatação antropológica da relação de poder entre seres humanos, talvez seja raiva de como nos importamos com coisas insignificantes ou de como o ser humano pode ser ruim; mas continuo a pensar que nada diz mais sobre você, do que seus atos.