8 de outubro de 2014

A Alice de Lewis Carroll


O quão estranho soa eu dizer que não tinha lido o livro Alice (em texto integral) até dez minutos atrás? Pois é, eu me apaixonei pelo País das Maravilhas com a animação de 1951 da Disney e com os livrinhos infantis adaptados do filme.

Fazem uns dois Natais que ganhei o livro e ainda assim continuei enrolando para ler, até essa semana.  A minha edição é a Bolso de Luxo da Zahar e reúne as duas histórias da Alice: Alice no País das Maravilhas e Alice através dos espelhos. Eu amo essa impressão porque o texto é integral, as ilustrações são originais e a tradução é vencedora do Prêmio Jabuti *o*

Aliás, a Zahar vêm relançando clássicos nessa edições pockets em capa dura. Não li as outras, mas devem seguir a mesma linha editorial, que eu acho sensacional.


Alice no País das Maravilhas é meu favorito, sem dúvidas. A maior parte das adaptações são a partir desse livro: Alice está com a irmã estudando/lendo sob uma árvore quando ela vê o coelho branco pulando apressado dentro de um buraco. Ela o segue e descobre um mundo novo e surreal.

Apesar de todas as hipérboles, Lewis consegue nos arrastar para o País das Maravilhas e traz justificativas, senão plausíveis, bem argumentadas para todas as coisas extraordinárias da história. Cheio de filosofia, moral e bons conselhos o livro é curto e segue um ritmo delicioso de leitura e surpresas a cada páginas.

Nesse livro aparece o Coelho Branco, Lebre de Março, o chapeleiro Maluco, A rainha de Copas, o gato de Cheshire e algumas cenas que são comuns nas adaptações.


Alice através do Espelho e o que ela encontrou lá acontece algum tempo após a volta de Alice do País das Maravilhas. Alice começa a imaginar o quão legal seria se existisse um mundo todo ao contrário do seu, do outro lado do espelho, e com esse pensamento ela atravessa o espelho da biblioteca de sua casa para um mundo surreal onde tudo faz parte de uma grande partida de Xadrez.

Tentando se tornar uma Rainha, Alice atravessa todo o jogo conhecendo um monte de personagens, histórias e zilhões de músicas e poemas. Acho que esse último é o que me irrita no livro, páginas e mais páginas de poesias; acabei descobrindo, no Oráculo Google, que essas poesias são paródias de famosas cantigas inglesas e uma crítica a sociedade da época.

Nesse livro aparece o Capturandan; as irmãs: Rainhas Branca e Vermelha; Humpty Dumpty; Tweedledee e Tweedledum e outras cenas comuns nas adaptações.

Na verdade, o que deu para perceber é que as adaptações são a junção dos personagens e cenas mais marcantes de cada livro em um único enredo. Eu consegui ver essa junção mais forte no filme de Tim Burton (2010), enquanto a animação da Disney (1951) é mais fiel ao primeiro livro que ao segundo.

Eu também consegui entender a "briga" entre "Dorothy" e "Alice"! Faz tempo que li "O mágico de OZ" (Tem resenha aqui!)  e com o meu conhecimento, pré-leitura de Alice, eu não conseguia distinguir os pontos em comum das história e qual o motivo de tanto mimimi.

Para quem já leu Oz, Alice possuiu a mesma estrutura narrativa, mesma ideia onírica e personagens fabulosos e acho que só isso em comum! Eu considero histórias totalmente distintas, com enredos diferentes e personagens com personalidades totalmente contrarias: Enquanto Alice é movida pela curiosidade de sempre saber mais; Dorothy é movida pela vontade e coragem de voltar pra casa.

Enfim, eu continuo apaixonada pela história do Lewis e pela forma como ela me representa! Recomendo absolutamente a história, para adultos, crianças e qualquer um que tenha vontade e imaginação para sonhar e se aventurar por algumas páginas.


"De fato", a Rainha Vermelha disse a Alice. "Fale sempre a verdade... pense antes de falar... e depois escreva o que falou." 
- Alice através dos espelhos e o que ela encontrou lá. Lewis Carroll. 
Tradução Maria Luiza Borges, Editora Zahar.